Il Messaggiere - China afirma que concluiu dois dias de manobras militares ao redor de Taiwan

China afirma que concluiu dois dias de manobras militares ao redor de Taiwan
China afirma que concluiu dois dias de manobras militares ao redor de Taiwan / foto: I-HWA CHENG - AFP

China afirma que concluiu dois dias de manobras militares ao redor de Taiwan

A China anunciou, nesta quarta-feira (2), que concluiu os exercícios militares com "munição real" ao redor da ilha de Taiwan, manobras em que simulou ataques contra portos e instalações de energia cruciais.

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A mobilização inesperada, que começou na terça-feira, acontece poucas semanas após o presidente taiwanês, Lai Ching-te, chamar a China de "força estrangeira hostil".

O governo dos Estados Unidos, principal fornecedor de armas de Taiwan, criticou as manobras como "táticas de intimidação" e alertou que servem apenas "para aumentar a tensão e colocar em risco a segurança regional e a prosperidade mundial".

Batizadas como "Trovão do Estreito-2025A", os exercícios acontecem no centro e ao sul do Estreito de Taiwan, que separa a ilha da China continental, informou o Exército chinês.

Com 180 quilômetros de amplitude, esta via é uma artéria crucial para o comércio marítimo global e um dos principais focos de tensão entre Washington e Pequim.

"O Comando do Teatro Oriental concluiu todos os seus objetivos planejados nos exercícios conjuntos realizados de 1º a 2 de abril", afirmou o porta-voz do Exército chinês, Shi Yi, em um comunicado divulgado na quarta-feira à noite.

- "Munição real" -

Algumas horas antes, as Forças Armadas chinesas explicaram que as manobras "de longo alcance com munição real" envolveram "ataques de precisão contra alvos simulados de portos-chave e instalações de energia".

As manobras no Estreito de Taiwan pretendiam "testar a capacidade das tropas" em áreas como "o bloqueio e o controle e os ataques de precisão contra alvos-chave", declarou o coronel Shi Yi.

Os sistemas de defesa taiwaneses detectaram 27 aeronaves e 21 navios militares, incluindo o porta-aviões "Shandong", além de 10 barcos da Guarda Costeira, ao redor da ilha, informou o Ministério da Defesa.

Na terça-feira, a China mobilizou forças terrestres, navais e aéreas para exercícios que, segundo seu Exército, buscavam treinar "ataques de precisão" e um bloqueio de Taiwan.

Nos últimos anos, a China recorreu diversas vezes ao envio de suas forças para o entorno de Taiwan, que, mesmo com pouco reconhecimento diplomático oficial, tem governo, moeda e militares próprios.

Meng Xiangqing, professor da Universidade de Defesa Nacional do Exército chinês, afirmou que Taiwan é vulnerável à interrupção de suprimentos devido à falta de fontes de energia e outros recursos.

"Se Taiwan perder suas linhas de abastecimento marítimas, os recursos da ilha se esgotarão rapidamente, a ordem social se tornará um caos e as vidas das pessoas serão afetadas", disse Meng ao canal estatal CCTV.

- "Advertência" -

As Forças Armadas chinesas qualificaram os exercícios de terça-feira como uma "advertência firme e dissuasão enérgica" aos supostos separatistas de Taiwan, governada desde 2016 por um partido que defende a soberania da ilha frente à China.

A tensão aumentou com a posse do presidente taiwanês, em maio de 2024. Lai mantém uma postura mais firme a favor da soberania do território de 23 milhões de habitantes.

"Enquanto a provocação independentista prosseguir em Taiwan, a punição anti-independência não cessará", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun.

O gabinete presidencial de Taiwan condenou "a escalada no comportamento da China". O primeiro-ministro Cho Jung-tai disse que "recorrer a demonstrações de força militar não é o que as sociedades modernas e progressistas deveriam buscar".

Para o analista taiwanês Wen-Ti Sung, a China recorre a "testes de estresse" para calibrar o apoio da administração de Donald Trump a Taiwan e outros aliados americanos na Ásia.

Embora tenha a obrigação legal de fornecer armamento a Taiwan, Washington mantém uma "ambiguidade estratégica" diante de um possível envio de tropas para defender a ilha em caso de ataque chinês.

A administração anterior de Joe Biden demonstrou firme apoio a Taiwan, mas os moradores da ilha estão preocupados com uma possível mudança de postura com Trump, que já se distanciou, por exemplo, de seu antecessor em relação à Ucrânia.

Em uma viagem pela Ásia na semana passada, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, apostou em uma política de "dissuasão robusta, preparada e confiável" no Estreito de Taiwan.

A disputa entre Pequim e Taipé remonta a 1949, quando as tropas nacionalistas de Chiang Kai-shek perderam a guerra civil para os comunistas liderados por Mao Tsé-Tung e fugiram para Taiwan.

P.Rossi--IM