Il Messaggiere - MP da Espanha vai recorrer contra anulação da condenação de Daniel Alves por estupro

MP da Espanha vai recorrer contra anulação da condenação de Daniel Alves por estupro
MP da Espanha vai recorrer contra anulação da condenação de Daniel Alves por estupro / foto: LLUIS GENE - AFP/Arquivos

MP da Espanha vai recorrer contra anulação da condenação de Daniel Alves por estupro

O Ministério Público da Espanha anunciou, nesta quarta-feira (2), que recorrerá ao Supremo Tribunal do país contra a sentença de um tribunal de apelação que anulou a condenação de quatro anos e seis meses de prisão por estupro do ex-jogador brasileiro Daniel Alves.

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O MP da Comunidade Autônoma da Catalunha "anunciou (...) a intenção de apresentar recurso de cassação contra a sentença" do tribunal de apelação.

O tribunal de apelações anulou, na semana passada, a condenação de quatro anos e seis meses de prisão por estupro de uma mulher em 2022, que a Audiência Provincial de Barcelona havia determinado contra Alves no ano passado, por considerar, entre outros motivos, que havia "insuficiências probatórias" na sentença. Também descreveu o testemunho da denunciante como "não confiável".

Além disso, rejeitou o recurso apresentado contra a primeira sentença pelo Ministério Público, que havia solicitado uma pena de nove anos de prisão para o ex-atleta, e da acusação particular, que pedia 12 anos.

Os fatos ocorreram no banheiro da área reservada de uma casa noturna de Barcelona na madrugada de 31 de dezembro de 2022, onde a denunciante afirmou que o ex-jogador brasileiro a havia forçado a manter relações sexuais, que Alves - que mudou várias vezes de versão - alega que foram consentidas.

Com a decisão, os quatro magistrados de apelação absolveram o ex-jogador do Barcelona, que estava em liberdade condicional há um ano, depois de passar 14 meses na prisão, e anularam as medidas cautelares.

A decisão foi muito criticada por setores feministas, assim como por vários ministros do governo de esquerda do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

A vice-premiê María Jesús Montero afirmou no sábado que é uma "vergonha que ainda se questione o testemunho de uma vítima e se diga que a presunção de inocência está à frente do testemunho de jovens mulheres corajosas".

O Conselho Geral do Poder Judiciário (CGPJ), órgão que regulamenta o trabalho dos juízes espanhóis, divulgou um comunicado no qual expressa apoio aos magistrados e lembra que "a proteção e apoio às vítimas, em particular de crimes contra a liberdade sexual, não implica renunciar à presunção de inocência, que é um direito fundamental".

Muito criticada pela oposição, Montero pediu desculpas na terça-feira, embora tenha chamado a sentença de "retrocesso".

P.Russo--IM